
Já faz algum tempo que eu venho tomando coragem para escrever sobre esse tema, para mim sempre foi um dilema, e continua sendo, mas acho que é um tema necessário a ser discutido e comentado, tenho tentado analisar tudo de todos os ângulos possíveis espero ter conseguido fazer com êxito. Falar sobre cotas nas universidades é falar de desigualdade social, confesso que tinha uma opinião divergente da que tenho hoje, talvez por tentar refletir tanto sobre todos os aspectos.
Desde que o mundo é mundo existe a desigualdade social, e não tenho esperanças que ela deixe de existir, mas vemos que ao longo da história romper o determinismo se tornou comum, nascer pobre e se tornar burguês não era tão raro, porém tinha que ser muito melhor para se conseguir esse feito. Hoje é diferente para se ter muitas vezes um bom salário, uma boa casa, carro, e todas as regalias oferecidas pelo capitalismo não é fácil, precisa de muitas vezes de estudo, muito estudo, faculdade, mestrado, doutorado e aí vai...
Todavia sabemos que a educação é algo caro, e educação de qualidade é muito mais caro, como vamos conseguir comparar um aluno que estudou a vida toda em um colégio particular de qualidade que ensinava o melhor e com maior estimulo para preparar o aluno para o vestibular, com um aluno de escola pública sem condições nenhuma de qualquer estimulo e só ouve falar em vestibular na escola quando tem um terremoto (praticamente nunca). São níveis desiguais, o capitalismo traça essa linha, que separa ricos dos pobres, e os que estudaram em escola particular que teoricamente teria condição de pagar uma universidade particular querem estudar nas estaduais e federais que são mais reconhecidas e detém os melhores professores e premiações, e os que estudaram nas escolas públicas são obrigados a entrar nas faculdades particulares (é uma grande controvérsia), os que conseguem pagar, tudo bem vão enfrente, os que não conseguem se viram como podem, entregues a própria sorte, bom agora tem o prouni, mas esse programa não coloca nas melhores universidades que são as públicas.
Toda essa situação que eu acabei de citar é a realidade dos dias atuais, bom mais o que isso tem a ver com as cotas? Simplesmente tudo. As cotas foram criadas com o intuito de diminuir a diferença, tornar o combate no mesmo nível, independente de ser rico, médio ou pobre, assim todos poderiam estar de igual para igual. Eu particularmente acho uma idéia muito coerente, mas como disse tem outros ângulos a serem vistos, eu via por outro lado, de que as pessoas pagam colégios particulares para ter o melhor mesmo, e que educação era para os que podem pagar e pronto.
Mas o que mais me deixava indignado eram cotas para os negros, eles não tem a mesma capacidade do que outro aluno da escola publica? Por que então o favoritismo? Por que para mim parecia mais preconceito do que qualquer outra coisa, eu até ouvia dizerem assim “Se eu fosse negro eu processava o governo!”, é até irônico mais não deixa realmente de ser um preconceito, uma acepção, que o governo está fazendo com os negros.
Porém à pouco tempo comecei a perceber como vemos os negros? Geralmente os rotulamos como marginais, malandros, favelados e por aí vai, não temos um grande hall deles em cargos elevados, são muito poucos, o que faz com que eles sejam rotulados, e percebi que isso também é preconceito, então decidi que um preconceito que coloca um negro na universidade é muito melhor do que o preconceito que só tem a denegrir e humilhar.
Por isso com conclusão de tudo que vemos sobre esse tão polemico, cotas de universidades, eu apoio a decisão do governo de dar a chance para os menos favorecidos, neste ponto o governo do Brasil está de parabéns, apesar de ter criticado tanto sobre esse mesmo tema, só acho que deveria investir mais em educação ao invés de doar milhões e milhões para o MST, mais está no caminho certo, é tão fácil meter o pau, mais elogiar e parabenizar é muito mais difícil, acredito no Brasil, e apesar da corrupção acho que a educação pode mudar a nossa situação.
Vamos tentar ver as coisas com dupla atenção e não rotular nada. Deixe suas opiniões.
Imagem: Logo da Universidade Estadual de Maringá (UEM).
Paulo Fernando